Indigenismo abstrato, índio-camponês e o mestiço latino-americano
O debate no movimento comunista e entre as correntes
radicais em torno da questão indígena foi o tema que desvela importantes
características de cada interpretação acerca da particularidade
latino-americana. A própria palavra indígena tem diversos significados e muitas
vezes tratam de realidades sócio-históricas absolutamente diferentes.
Neste sub-capítulo procuraremos confrontar as
interpretações sobre a questão indígena em diversos núcleos do movimento
comunista e de algumas correntes radicais que interagiram com este. Localizamos
até este estágio da pesquisa três possibilidades de abordagem da questão
indígena, uma que reforça os aspecto histórico dos astecas e incas, sem vínculo
com os indígenas contemporâneos, outra que trata o índio como um camponês
latino-americano e uma terceira abordagem que mistura a idéia de tradição
indígena com mestiçagem, sem fazer importantes diferenças entre um e outro.
Utilizaremos como fonte os documentos da APRA, textos
de Haya de La Torre ,
Vasconcelos e Gamio. Entre os comunistas existem nas memórias de Siqueiros e
Riveras interessantes referências a este debate no México e os artigos
publicados no periódico El Machete, El Libertador e La Correspondencia
Sudamericana nos fornecerá material para esta análise. No
Peru Valcárcel e os artigos publicados em Amauta e Labor possuí uma coleção de
textos que aprofundam a questão indígena como particularidade nacional e
regional. E Mariátegui junto com materiais produzidos pela célula de Cusco
fornecem materiais importantes para abordar o tema.