terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Indigenismo abstrato, índio-camponês e o mestiço latino-americano

O debate no movimento comunista e entre as correntes radicais em torno da questão indígena foi o tema que desvela importantes características de cada interpretação acerca da particularidade latino-americana. A própria palavra indígena tem diversos significados e muitas vezes tratam de realidades sócio-históricas absolutamente diferentes.
Neste sub-capítulo procuraremos confrontar as interpretações sobre a questão indígena em diversos núcleos do movimento comunista e de algumas correntes radicais que interagiram com este. Localizamos até este estágio da pesquisa três possibilidades de abordagem da questão indígena, uma que reforça os aspecto histórico dos astecas e incas, sem vínculo com os indígenas contemporâneos, outra que trata o índio como um camponês latino-americano e uma terceira abordagem que mistura a idéia de tradição indígena com mestiçagem, sem fazer importantes diferenças entre um e outro.
Utilizaremos como fonte os documentos da APRA, textos de Haya de La Torre, Vasconcelos e Gamio. Entre os comunistas existem nas memórias de Siqueiros e Riveras interessantes referências a este debate no México e os artigos publicados no periódico El Machete, El Libertador e La Correspondencia Sudamericana nos fornecerá material para esta análise. No Peru Valcárcel e os artigos publicados em Amauta e Labor possuí uma coleção de textos que aprofundam a questão indígena como particularidade nacional e regional. E Mariátegui junto com materiais produzidos pela célula de Cusco fornecem materiais importantes para abordar o tema.

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O Agrarismo Mexicano tornou-se um movimento que embora passível de comparação com outros movimentos semelhantes no mundo, tem contornos inegavelmente mexicanos. O México por diversos aspectos de sua construção nacional misturou a identidade nacional com a latino-americana, confundindo-se e servindo como modelo alternativo. O Agrarismo foi também um movimento bastante multifacetado e muitas vezes agrupando correntes ideológicas contraditórias. Uma das vertentes do Agrarismo Mexicano estiveram os comunistas e por um período, durante a décvada de 1920 tiveram importância na política nacional e foram centrais para a política do PCM. Três militantes se destacam nesse movimento: Primo Tapia, José Guadalupe Rodríguez e Úrsulo Galván. Este último tendo sido importante membro do CC do PCM e dirigente das Ligas Agraristas. Nos concentraremos no processo de aproximação do PCM com o agrarismo, que obriga o Partido a debater formas de organização camponesa, Revolução mexicana e particularidade das revoluções agrárias em realidades como a América Latina.
Utilizaremos como fonte as resoluções, atas e documentos da Liga Nacional Agrarista, da qual os militantes do PCM faziam parte, artigos do El Machete e alguns documentos da IC sobre a questão agrária.